Recenseadora do IBGE registra boletim de ocorrência por importunação e ameaça durante entrevista do Censo 2022: 'Me senti um lixo' - Brasil

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Mulher contou que homem a ofendeu e reclamou de perguntas do questionário, em Ponta Grossa (PR). Crime de desacato também foi registrado. IBGE reforça que participação é obrigatória, mas também fundamental.

Uma recenseadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou um boletim de ocorrência por importunação sexual, ameaça e desacato em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, por ofensas recebidas durante o trabalho no Censo Demográfico 2022.

"[O morador] reclamava do Censo, do IBGE, das perguntas, que as perguntas eram ridículas, que não existia motivo de eu estar ali. De que meu trabalho não fazia sentido nenhum porque aquilo não servia para nada. Me senti como pessoa um lixo e tudo que eu falava ele falava que eu era burra, que eu que deveria saber a resposta, que eu não estava vendo que ali a resposta era óbvia", contou.

Conforme boletim de ocorrência, em determinado momento, o homem chegou a falar: "você não está vendo que eu sou macho? Daqui a pouco você vai perguntar o tamanho da minha [genitália]".

Após a situação, a trabalhadora foi orientada pela equipe a prestar queixa.

De acordo com a coordenadora de área do IBGE em Ponta Grossa, nenhum recenseador pode supor respostas para as perguntas, mesmo que pareçam óbvias. O morador precisa fornecer a informação.

Além disso, responder o Censo é lei e também um dever dos brasileiros previsto em decreto. Conforme texto, "toda pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, é obrigada a prestar as informações solicitadas pelo IBGE".

"O Censo é um retrato do Brasil e os recenseadores são os fotógrafos. Eles são trabalhadores, para muitos deles é o único trabalho que têm agora, numa época difícil. Ele pergunta qual sua cor ou raça, por mais que para a pessoa seja evidente, o recenseador não pode tirar nenhuma conclusão, é a pessoa que tem que responder. O recenseador tem que perguntar", frisou a coordenadora.

A legislação que torna obrigatória a participação no Censo é a mesma que garante o sigilo das informações repassadas. Em todos os 5.568 municípios brasileiros, os questionários do Censo 2022 estão sendo feitos desde 1º de agosto.

 

Episódios de ameaça

Os episódios de dificuldade encontrados entre recenseadores não são exceção. Na região de Ponta Grossa, outros profissionais já relataram episódios até mesmo de ameaça.

"Quando eu fui perguntar para a senhora alguns quesitos como idade, quantos banheiros tinha em casa, ela achou ruim e começou a me ofender. Começou a me xingar, dizer palavrões e no final chegou a falar que se eu voltasse no domicílio ela ia me matar", relembrou Bruno, recenseador na cidade.

Outros profissionais também relataram desacato ao fazerem as abordagens à domicílio. Atualmente, é possível responder o Censo pela internet ou por telefone, mas o primeiro contato sempre precisa ser pessoalmente.

"Já tive alguns problema de desacato até. Uma senhora na cidade de Castro. Eu acho que essas pessoas têm que abrir a mente no sentido de que a gente possa ser bem recebido e que é importante para todos nós no Brasil", reforçou outro profissional.

 

Qual a importância do Censo?

Com um panorama tão completo, a pesquisa ajuda na construção das políticas do país.

Além da contagem populacional, a pesquisa traz dados sobre condições de vida, emprego, renda, acesso a saneamento, saúde e escolaridade, entre outros.

Essas informações são essenciais para o desenvolvimento e implementação de políticas públicas e para a realização de investimentos públicos e privados.

Entre as políticas públicas afetadas pelo Censo, é possível citar:

Calibragem da democracia representativa, através da contagem populacional (definição do número de deputados federais e estaduais e de vereadores);

Determinação dos públicos-alvo de políticas públicas federais, estaduais e municipais;

Detalhamento da população em risco para campanhas de vacinação;

Ajustes nas políticas para superação e recuperação pós-pandemia;

Distribuição das transferências da União para estados e municípios, com impacto significativo nos orçamentos públicos (segundo o IBGE, em 2019, 65% do montante total transferido da União para estados e municípios consideraram dados de população);

Identificação de áreas de investimento prioritário em saúde, educação, habitação, transportes, energia, programas de assistência a crianças, jovens e idosos.

 

Fonte: G1

 

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